QUALIDADE DA ÁGUA NA REDE DE DISTRIBUIÇÃO


As ações têm por objetivo estabelecer a metodologia para controle e gerenciamento da qualidade da água na rede de distribuição, com a finalidade de garantir os padrões de potabilidade de acordo com a Portaria 518/2004.

O município de Campinas possui hoje uma população de mais de 1.000.000 de habitantes, sendo que 98% são atendidos com água potável.

A exemplo das grandes cidades, Campinas foi se desenvolvendo, tendo como prioridade o atendimento à demanda populacional crescente.

O primeiro sistema público de abastecimento data de 1875, com a construção de alimentadores em ferro fundido que levavam água de nascentes até os primeiros chafarizes da cidade. Em 1891 foi iniciada a implantação das primeiras ligações de água residenciais.

A partir de 1935 foi feita a ampliação do sistema, permitindo o abastecimento da população como um todo.

A malha hidráulica compreende cerca de 3.500 km de extensão, sendo 12% em ferro fundido, 36% em cimento amianto, 51% em PVC e 1% em material diverso.

A SANASA, empresa responsável pelos serviços de Saneamento do município de Campinas, tem um programa de Controle e Redução de Perdas Físicas de Água que vem trabalhando de forma sistemática na troca das redes de ferro galvanizado e cimento amianto, entretanto, a região central da cidade, que compreende as redes mais antigas, predominantemente em ferro fundido, apresenta sérios problemas para troca ou reforço de redes, em função do grande número de interferências existentes.

O estudo desenvolvido constatou que a região mais crítica em termos de qualidade da água é, justamente esta, onde a rede antiga encontra-se totalmente incrustada, resultando em problemas de coloração e baixo teor de cloro residual.

Estes resultados são apresentados neste estudo, tendo como objetivo primordial a definição de ações de troca e reforço de redes que possibilitem a melhoria da qualidade da água distribuída à população.
Metodologia e Desenvolvimento

A SANASA faz o acompanhamento dos dados de qualidade em 196 pontos de rotina pré-estabelecidos na rede de distribuição, em função de sua posição, setor de distribuição e características da rede e em 16 hospitais.

Com a finalidade de avaliar as condições da água nestes pontos e definir ações que proporcionem a melhoria dos parâmetros monitorados foi desenvolvido um programa de acompanhamento, estabelecendo-se a seguinte metodologia:

  • Mapeamento dos pontos de monitoramento de rede de distribuição, utilizando o software ARC GIS 9. Para tanto, foi feita a conversão das informações disponíveis em AUTO CAD da base cadastral da rede de distribuição, contendo a base cartográfica, a topologia da rede (material, diâmetro, registro, etc.), bem como os limites de setores de distribuição. As informações foram processadas e geo-referenciadas (coordenadas UTM e o Datum: Córrego Alegre), por meio do ARC CATALOG.

  • Inserção dos dados de qualidade no mapa temático, utilizando informações geo-referenciadas dos pontos de monitoramento.

  • Apartir desta base de dados é possível fazer a avaliação dos parâmetros, analisando os dados através de planilhas e gráficos e espacializando estas informações.

  • É feita a atualização mensal e as informações são monitoradas com a finalidade de definir as ações a serem tomadas para a melhoria da qualidade da água distribuída à população.
Resultados

Foi feito um histórico de dois anos das informações de qualidade disponíveis e, com base neste banco de dados, avaliada a evolução dos parâmetros neste período.

Esta análise possibilitou o levantamento de pontos críticos existentes na rede de distribuição e, consequentemente, a definição de ações de melhoria tais como: reforço nos alimentadores, instalação de estruturas redutoras de pressão, manutenção de válvulas, conserto de vazamento, trocas de redes.

Durante o ano de 2005 foram implantadas estas ações e feito o acompanhamento dos seguintes parâmetros de qualidade: Cloro residual, Cor, Flúor, Ferro e Turbidez. Destes, o parâmetro que se destaca com o maior número de ocorrências fora de padrão é o teor de Cloro residual, sendo adotado como o parâmetro de controle.

Para a análise dos dados foram estabelecidas as seguintes faixas de avaliação:

  • Todas as amostras coletadas encontram-se dentro do Padrão;

  • Até 20% das amostras coletadas fora de padrão;

  • de 20 a 40% das amostras coletadas fora de padrão;

  • de 40 a 60% das amostras coletadas fora de padrão;

  • de 60 a 80% das amostras coletadas fora de padrão;

  • acima de 80% das amostras coletadas fora de padrão.
A tabela 1 mostra a evolução do parâmetro Cloro Residual ocorrida no ano de 2005, com relação ao ano anterior, para os 196 pontos de monitoramento.

Avaliação dos Pontos de Monitoramento
FaixaEstável Piora Melhoria Total
Dentro do padrão 94 - 64 158
Até 20% fora de padrão 3 6 14 23
De 20 a 40% fora de padrão 1 3 6
De 40 a 60% fora de padrão  1 3 4
De 60 a 80% fora de padrão   1 1 2
Acima de 80% fora de padrão   5 - 5


Tabela 1 – Avaliação de Cloro Residual nos pontos de monitoramento existentes.


A tabela mostra que houve uma melhoria considerável na qualidade da água no ano de 2005, dos 196 pontos de rotina monitorados, 158 (80,61%) permaneceram estáveis ou permaneceram durante todo o ano de 2005 dentro do padrão e apenas 16 pontos (8,16%) pioraram neste ano.
Conclusões

O trabalho desenvolvido permitiu analisar as condições da rede de distribuição existente no município de Campinas, concluindo-se que a região mais crítica é a região central, com tubulações em ferro fundido, já totalmente incrustadas.

Ficou evidenciada a necessidade de um monitoramento da qualidade da água na rede de distribuição, em consonância com o programa de controle e redução das perdas físicas.

Como conclusão, está sendo proposta a renovação da rede antiga, com a execução de anéis de reforço, de maneira a evitar grandes interferências e a troca de trechos comprometidos. Estas ações, além de permitir o equilíbrio do sistema de distribuição, garantirão a qualidade da água à população.
Referências Bibliográficas

· AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA - ANEEL, O Estado das Águas no Brasil – 1999. Brasília, 1999.

· ASSAD, E.D.; SANO, E.E.; Sistemas de Informações Geográficas, Brasília, 1998.

· BATISTELLA, M., et. al., Base de dados geográficos para o Município de Campinas com ênfase no uso e cobertura das terras, Campinas, 2003.

· COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL – CETESB, Relatório de Qualidade das Águas Interiores do Estado de São Paulo 2004. São Paulo, 2005.

· DEPARTAMENTO DE ÁGUAS E ENERGIA ELÉTRICA – DAEE, Legislação de Recursos Hídricos – Consolidação 1987 - 2001. São Paulo, 2002.

· FEITOSA, F. A. C.; FILHO, J. M., Hidrogeologia Conceitos e Aplicações. Fortaleza, 2000.

· MARTINS, J. P., Água e Cidadania em Campinas e Região O Desafio do Século 21. Campinas, 2004.

· Silva, N., et. al.; Manual de métodos de análise microbiológica da água, Campinas, 2005.
Pesquisas feitas através da Internet

· ANA – Agência Nacional das Águas – www.ana.gov.br

· CETESB – www.cetesb.gov.br

· COMITE PCJ – Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí – www.comitepcj.sp.gov.br

· DAEE – www.daee.sp.gov.br

· MMA – Ministério do Meio Ambiente – www.mma.gov.br


TG - 16/08/2006